Laguna 350 anos: A beleza e a importância do Centro Histórico tombado
Em uma lista que inclui Ouro Preto, Olinda, Parati e São Luís, Laguna ocupa um lugar de honra entre os conjuntos urbanos tombados pelo IPHAN. Aos 350 anos, a cidade celebra um patrimônio que não é apenas histórico: é vivo, habitado e insubstituível.
Há cidades que têm história. E há cidades que são história. Laguna pertence à segunda categoria. Caminhar pelo seu Centro Histórico é percorrer três séculos e meio de arquitetura, cultura, resistência e identidade. As ruas de pedra, as fachadas açorianas, as janelas de madeira com vidros trabalhados, o casario que se abre para a Lagoa de Santo Antônio: tudo isso forma um conjunto que não existe mais em nenhum outro lugar do Brasil do mesmo jeito que existe aqui.
O tombamento de 1985: quando Laguna passou a integrar o patrimônio cultural do Brasil
Em 1985, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) inscreveu o Centro Histórico de Laguna em dois Livros do Tombo: no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, em 25 de abril, e no Livro do Tombo Histórico, em 23 de dezembro. Com esse reconhecimento, Laguna passou a integrar o seleto grupo de cidades brasileiras que possuem conjuntos urbanos protegidos em âmbito federal, em razão de seu excepcional valor histórico, arquitetônico, urbanístico e paisagístico.
Esse conjunto reúne algumas das mais importantes cidades históricas do país. Nele estão Ouro Preto e Mariana, marcadas pelas igrejas e casarões do ciclo do ouro em Minas Gerais; Olinda, com seu casario colonial distribuído sobre as colinas pernambucanas; Paraty, entre a Serra do Mar e a baía no litoral sul do Rio de Janeiro; Diamantina, um dos mais expressivos conjuntos urbanos do período colonial brasileiro; e São Luís, reconhecida pelas fachadas revestidas por azulejos portugueses. Ao lado dessas cidades, Laguna representa o litoral sul catarinense e preserva um conjunto urbano singular, formado por cerca de 600 edificações que testemunham diferentes momentos de sua história.
O reconhecimento federal deve-se à excepcionalidade de seu conjunto urbano, que conserva o traçado histórico, a relação entre a cidade, o porto e a paisagem natural, além de um expressivo acervo arquitetônico construído entre os séculos XVIII e XIX. A ocupação de origem açoriana, somada ao desenvolvimento econômico proporcionado pelas atividades portuárias e comerciais, conferiu à cidade características próprias que fazem de Laguna um dos mais importantes testemunhos da formação urbana do sul do Brasil.
A proteção conferida pelo tombamento federal marcou um novo capítulo na preservação do patrimônio lagunense. Anos mais tarde, em 1993, foi criada a Fundação Lagunense de Cultura (FLC), instituição que passou a desempenhar papel fundamental na gestão do patrimônio cultural do município. Desde então, a atuação conjunta entre a Fundação, o IPHAN e a comunidade tem contribuído para a preservação, valorização e difusão desse patrimônio, assegurando que o Centro Histórico de Laguna continue sendo um elo vivo entre o passado e o futuro.
Quarenta anos de tombamento e o que já foi construído
Nos últimos anos, os investimentos em restauro aceleraram. O Novo PAC destinou ao IPHAN em Santa Catarina aproximadamente R$ 39 milhões em obras e projetos. Em Laguna, a Antiga Subestação de Energia recebeu R$ 878 mil em restauração completa e se transformará na Casa do Artesanato. Em 2025, o IPHAN celebrou os 40 anos do tombamento com a visita do presidente Leandro Grass e o lançamento de um selo comemorativo em parceria com a Prefeitura. Como disse uma moradora ao IPHAN: “Morar no Centro Histórico para mim é estar dentro da história da cidade. As pessoas estão tendo mais consciência sobre o porquê do tombamento, devemos deixar isso para a posteridade.”
A chefe do Escritório Técnico do IPHAN em Laguna, Ana Paula Cittadin, é quem melhor traduz o significado desse marco. “O tombamento do Centro Histórico de Laguna representa o reconhecimento de um patrimônio que possui valor para todo o Brasil. Mais do que proteger edificações, ele preserva a memória, a identidade e a história construída ao longo de gerações. Esse patrimônio permanece vivo porque continua sendo vivido pelas pessoas, e sua preservação depende do compromisso compartilhado entre o poder público, as instituições e toda a comunidade“, afirma a arquiteta.
Aos 350 anos, Laguna tem muito para celebrar. Tem o privilégio de ser uma das cidades mais bonitas, mais antigas e mais ricas em história do litoral brasileiro. E tem também o dever, e a oportunidade, de continuar sendo exatamente isso pelos próximos 350 anos.


Referências
IPHAN. Centro Histórico de Laguna. portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/397 IPHAN. IPHAN celebra 40 anos de tombamento do Centro Histórico de Laguna. Gov.br, maio 2025. IPHAN. Educação Patrimonial no Centro Histórico de Laguna. Florianópolis: IPHAN, 2020. IPHAN. Normatização de Cidades Históricas. Brasília: IPHAN, 2011. IPHAN. Superintendência do Iphan em Santa Catarina: www.gov.br/iphan/pt-br/superintendencias/santa-catarina CAU/SC. Moção de Aplauso pelos 40 anos do tombamento de Laguna. CAU/BR, 2025. iPatrimônio. Laguna: Centro Histórico. www.ipatrimonio.org/laguna-centro-historico UDESC. Descrição do Centro Histórico de Laguna.
Esta é a terceira matéria da série especial Laguna 350 Anos. Acompanhe as próximas edições em laguna.sc.gov.br/tag/especial350anos
Curadoria de pauta: jornalista Ildo Silva da Silva
Produção: Bruno Constante Matos, Secretário Municipal de Comunicação Social



