Laguna 350 anos: A mística da Fonte da Carioca e a água que faz você voltar
Construída em 1863, a Fonte da Carioca é a única das três fontes originais de Laguna ainda preservada. Ganhou o apelido de Fonte dos Namorados e vive até hoje marcada por uma lenda: quem bebe daquela água sempre volta à Laguna.
Há uma fonte no coração do Centro Histórico de Laguna que carrega algo além de água. Carrega história, lenda e uma crença que sobrevive a gerações: quem bebe da água da Carioca sempre volta à Laguna. Dizem que é folclore. Dizem que é verdade. O certo é que, 162 anos depois de sua construção, a Fonte da Carioca continua brotando água, continua recebendo visitantes e continua sendo um dos símbolos mais vivos e mais autênticos desta cidade.
As três fontes de Laguna: só uma sobreviveu
Na época da colonização, Laguna tinha três fontes de água que abasteciam a cidade. A Fonte da Figueirinha, onde segundo a tradição Anita Garibaldi e Giuseppe Garibaldi teriam se conhecido pela primeira vez. A Fonte do Campo de Fora. E a Fonte da Carioca, na Praça Lauro Müller, ao lado da Casa Pinto D’Ulysséa.
Das três, apenas a Carioca sobreviveu. E ela não só sobreviveu como ainda funciona: estudos realizados pela Udesc estimam que a fonte produz mais de dois milhões de litros de água potável por mês. Em pleno século XXI, moradores e visitantes ainda chegam com galões e garrafinhas para levar água da Carioca para casa. Um hábito que remonta ao século XIX e que a cidade simplesmente não largou.



1863: a construção
Antes de 1863, a Carioca era apenas uma pequena bica que brotava da terra. A água já era usada pela população há muito tempo, mas sem estrutura. Foi naquele ano, durante o Império, que a estrutura foi erguida por mãos escravizadas, como era prática do período para a realização de obras públicas e de grande porte.
O nome “Carioca” tem origem no tupi-guarani e significa “casa branca” ou “oca”. A arquitetura é portuguesa, nas cores azul e branca. Em 1906, a estrutura foi ampliada. E em 1876, com autorização do presidente da Província de Santa Catarina, uma associação local conseguiu cinco mil réis para encanar as águas da Carioca e levá-las até as docas para abastecer as embarcações. Cada 20 litros de água gerava 500 réis para a sociedade. Dez anos depois, canos e chafariz foram entregues ao poder municipal.
A Fonte dos Namorados: como a lenda nasceu
O apelido “Fonte dos Namorados” não vem de magia. Vem de uma prática cotidiana muito concreta. No século XIX, buscar água na fonte era uma tarefa diária das famílias lagunenses. E essas idas e vindas, as famílias caminhando até a Praça Lauro Müller, os jovens trocando olhares no percurso, os encontros que se repetiam dia após dia, tornaram a Fonte da Carioca o principal ponto de encontro romântico da cidade. Muitos casamentos começaram ali, na fila da água, num olhar trocado entre uma visita e outra.
Com o tempo, a lenda se sofisticou. A Fonte ganhou também o apelido de “Fonte da Juventude”, e o ditado popular que persiste até hoje: “quem bebe da água da Carioca sempre volta à Laguna.” Os moradores acreditam. Os turistas testam. E a cidade observa, com a tranquilidade de quem já viu muita gente voltar.


A Fonte da Carioca fica na Praça Lauro Müller, no Centro Histórico de Laguna, ao lado da Casa Pinto D’Ulysséa. Entrada gratuita. A fonte tem capacidade para armazenar 40 mil litros de água mineral, com tanques revestidos de mármore Carrara que mantêm a água fresca e gelada. A água é de acesso público. E, se a lenda for verdade, quem beber daquela água vai querer voltar.
Referências
- Portal de Turismo de Laguna. Fonte da Carioca. turismo.laguna.sc.gov.br
- IPHAN. Água pura e cristalina no centro histórico de Laguna. portal.iphan.gov.br.
- LEAL, Dayana Bonifácio. Fonte da Carioca de Laguna, Santa Catarina. Monografia, Udesc, 2021.
Esta é uma matéria da série especial Laguna 350 Anos. Acompanhe em laguna.sc.gov.br/tag/especial350anos
Curadoria de pautas: jornalista Ildo Silva da Silva| Produção: Bruno Constante Matos, Secretário Municipal de Comunicação Social



